Enquanto muita empresa brasileira ainda está decidindo se vale a pena “mexer com IA”, uma pesquisa recente da Deloitte mostra que esse barco já saiu: 95% das organizações no Brasil planejam adotar IA agêntica nos próximos dois anos. Ou seja, sistemas de IA que não apenas respondem perguntas, mas executam tarefas completas sozinhos — de qualificar um lead a montar uma proposta comercial.
O levantamento, batizado de State of AI in the Enterprise, ouviu 3.235 líderes de negócios e tecnologia no mundo, incluindo 115 brasileiros, entre agosto e setembro de 2025. O retrato que ele traça do Brasil é de um país que já saiu da fase de “testar por curiosidade” e está usando IA de forma mais estratégica do que a média global — mas que também enfrenta um gargalo bem conhecido de quem já tentou automatizar algo na empresa: tirar o piloto do papel.
Se você é dono ou gestor de uma empresa no Brasil, os números abaixo servem como um raio-x do que outras empresas como a sua estão fazendo — e onde estão travando.
O Brasil usa IA de forma mais madura que a média mundial
Segundo o estudo, 42% das empresas brasileiras já usam IA para promover mudanças estruturais no negócio — acima da média global, de 34%. Na prática, isso significa que menos empresas por aqui estão usando IA só para tarefas pontuais e mais estão redesenhando processos inteiros em torno da tecnologia.
- 59% relatam melhora direta na tomada de decisões e geração de insights (contra 53% no mundo)
- 44% notam avanço real no relacionamento com clientes (contra 38% globalmente)
- 82% das organizações já autorizam o uso de IA para pelo menos 20% dos profissionais
A expectativa de receita é alta — mas ainda não é realidade para a maioria
Aqui está o dado que mais chama atenção de quem cuida do financeiro: 87% das empresas brasileiras acreditam que a IA vai impulsionar o crescimento de receita (bem acima dos 74% da média global). O problema é que, hoje, só 22% já percebem esse ganho de faturamento de forma direta e mensurável.
Esse intervalo entre expectativa e resultado não é motivo para desanimar — é normal em qualquer tecnologia nova. Mas mostra que a diferença entre “acreditar que a IA vai ajudar” e “ver isso no caixa” está na execução: escolher o processo certo para automatizar primeiro, medir o resultado e ajustar.
O maior obstáculo: sair do piloto e chegar à operação
A pesquisa aponta um gargalo que vale ouro para qualquer gestor brasileiro: 58% das empresas conseguiram colocar em produção, no máximo, 20% dos seus projetos-piloto de IA. Só 23% conseguiram escalar 40% ou mais dos experimentos. Ou seja, a maior parte das empresas não está travada em decidir “se” usa IA — está travada em fazer o piloto virar rotina.
Um exemplo prático
Imagine uma distribuidora de autopeças em Curitiba (PR) que testou, durante três meses, um agente de IA para responder orçamentos no WhatsApp. O teste funcionou bem com a equipe interna, mas nunca “saiu do piloto” porque ninguém definiu quem seria o responsável por ajustar o agente, medir os resultados e integrá-lo ao CRM da empresa. É exatamente esse tipo de decisão de governança — e não a tecnologia em si — que separa quem só testa IA de quem realmente cresce com ela.
Governança ainda é o elo mais fraco
Apesar de quase todas as empresas planejarem adotar IA agêntica, apenas 27% das brasileiras dizem ter modelos de governança maduros para isso — ou seja, regras claras sobre o que a IA pode decidir sozinha, quem revisa os resultados e como corrigir erros. Adotar um agente de IA sem definir essas regras antes é receita para desorganização: respostas inconsistentes, decisões sem revisão humana e retrabalho.
Como sair do piloto e chegar aos 23% que escalam
O estudo da Deloitte não deixa dúvida: a diferença entre travar no piloto e escalar de verdade está menos na tecnologia escolhida e mais em decisões simples de gestão, que costumam ficar de lado quando a empresa “só quer testar”:
- Nomeie um responsável: todo piloto de IA precisa de alguém dentro da empresa encarregado de acompanhar resultados, não só de “ligar a ferramenta”
- Comece pelo processo certo: escolha uma tarefa repetitiva e de alto volume — atendimento inicial, qualificação de lead, resposta a dúvidas frequentes — em vez de tentar automatizar tudo de uma vez
- Defina métricas antes de começar: tempo de resposta, taxa de conversão, custo por atendimento — sem número de referência, fica impossível saber se o piloto funcionou
- Integre com o que já existe: um agente de IA que não conversa com o CRM ou a planilha de vendas da empresa vira só mais um sistema isolado
Os riscos de pular a etapa de governança
É tentador ligar um agente de IA e deixar que ele tome decisões sozinho — afinal, é isso que promete ganho de tempo. Mas empresas que pulam a etapa de governança costumam esbarrar nos mesmos problemas:
- Respostas inconsistentes entre um atendimento e outro, porque ninguém revisou o que a IA está dizendo em nome da empresa
- Decisões automáticas erradas (um desconto indevido, uma promessa de prazo impossível) sem ninguém revisando antes de chegar ao cliente
- Dados de clientes tratados sem critério claro, o que pode gerar problema com a LGPD
- Retrabalho da equipe para corrigir o que a IA fez errado, anulando o ganho de produtividade prometido
Nada disso significa que a empresa deve evitar IA agêntica — os números mostram que quase todo mundo vai adotar. Significa apenas que vale definir, antes de ligar o agente, quem revisa as decisões mais sensíveis e em que situações a IA deve pedir confirmação humana antes de agir.
O que isso significa para o seu negócio
Os números da Deloitte confirmam algo que já dá para sentir no dia a dia: quem está usando IA de forma estratégica no Brasil está tirando resultado real dela, enquanto quem só experimenta sem plano de execução fica no meio do caminho. Antes de contratar qualquer ferramenta, vale responder três perguntas:
- Qual processo, se automatizado, geraria o maior ganho de tempo ou receita?
- Quem na empresa vai acompanhar e ajustar o agente de IA depois que ele estiver no ar?
- Como vamos medir se está funcionando, em vez de só “achar que está”?
Empresas brasileiras que já são referência em uso estratégico de IA — os tais 42% que promovem mudanças estruturais com a tecnologia — não chegaram lá por sorte ou por usar a ferramenta mais cara do mercado. Chegaram porque trataram a adoção de IA como um projeto de gestão, com dono, prazo e métrica, e não como um experimento isolado da equipe de tecnologia.
Se sua empresa já testou IA e o projeto não saiu do papel — ou se você quer começar do jeito certo, sem virar mais um piloto esquecido — chame a gente direto no WhatsApp e vamos conversar sobre como aplicar isso na prática. Conheça também as soluções da NexusAI.



